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Gergelim avança na segunda safra: Por que a cultura ganha espaço entre produtores de grãos?

Pouco conhecido pela maioria dos consumidores, o gergelim passou a ocupar áreas crescentes da segunda safra no Brasil, e Wander Aguilera Almeida, empresário da intermediação de compra e venda de grãos, pondera que a cultura começa a aparecer com mais frequência no planejamento de produtores do Centro-Oeste. O pequeno grão oleaginoso, que antes despertava curiosidade, tornou-se uma opção comercial viável.

A expansão é impulsionada, sobretudo, pela demanda externa. Países asiáticos e do Oriente Médio apresentam um consumo relevante de gergelim, tanto em sua alimentação habitual quanto na produção de óleo. Nesse contexto, o Brasil se firmou nos últimos anos como fornecedor de destaque, com Mato Grosso concentrando parcela significativa da produção nacional.

O avanço acompanha a busca por diversificação após a soja. Em conjunto com o sorgo e outras culturas alternativas, o gergelim amplia as opções para ocupar a área no segundo semestre agrícola. A seguir, você entenderá o motivo do crescimento, as vantagens oferecidas e os cuidados exigidos na comercialização.

O gergelim entrou no radar do produtor

O gergelim apresenta um ciclo relativamente breve e apresenta tolerância satisfatória ao estresse térmico e à escassez de chuva no período final do seu ciclo de desenvolvimento. Dessa forma, é possível realizar a semeadura do gergelim em janelas tardias, em comparação com a semeadura do milho. Em anos de plantio atrasado, como o que se projeta para parte do Centro-Oeste na safra 2026/27, essa característica adquire especial importância.

O custo de produção tende a ser mais baixo em comparação com outras culturas de segunda safra, em virtude da demanda mais moderada por fertilizantes e insumos. Para os produtores que buscam reduzir sua exposição em ciclos de crédito oneroso, esse fator é determinante na escolha, sobretudo em áreas onde o potencial produtivo do milho tardio é limitado.

A rotação de culturas é uma prática que também contribui para a diminuição de ciclos de pragas e doenças associados à sucessão entre soja e milho. A diversificação da segunda safra, segundo Wander Aguilera Almeida, contribui para a distribuição de riscos entre mercados com diferentes dinâmicas.

Wander Aguilera Almeida
Wander Aguilera Almeida

Os cuidados na comercialização

Ao contrário da soja e do milho, o gergelim tem um mercado mais segmentado e com menos liquidez. A redução no número de compradores e a transparência limitada das referências de preço são fatores que influenciam esse cenário, bem como a dependência de empresas exportadoras especializadas em volume significativo.

Dessa forma, é imprescindível identificar o destino do grão antes do plantio. Os contratos devem ser firmados com antecedência, garantindo a segurança da venda. No entanto, é necessário atentar para os padrões de qualidade, como a pureza, a umidade e a coloração. Em sua avaliação, Wander Aguilera Almeida declara que compreender as exigências do comprador é fundamental para evitar descontos e dificuldades na entrega da produção.

A colheita requer atenção, visto que o grão é diminuto e as cápsulas tendem a se abrir quando maduras, resultando em perdas. A regulagem adequada das máquinas e a escolha do momento certo são fundamentais para o sucesso da colheita, garantindo um volume de qualidade e um lote de alta qualidade.

Uma alternativa que pede planejamento

O gergelim ilustra a tendência de diversificação da segunda safra brasileira, com cultivos que atendem às especificações do mercado internacional. A cultura em questão apresenta benefícios agronômicos e custos moderados. No entanto, para a sua viabilidade, faz-se necessário dispor de canais de venda organizados.

Em sua explicação, Wander Aguilera Almeida destaca que culturas de mercado mais restrito exigem ainda mais atenção ao planejamento comercial do que as grandes commodities.

Para o produtor, o gergelim pode representar uma oportunidade favorável quando a decisão de plantio é acompanhada de informações sobre compradores, padrões de qualidade e condições de entrega. Em caso de ausência, a vantagem agronômica pode não se converter em resultado financeiro ao final do ciclo.

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