Fundador da Eventos Litoral, Fredy da Silva Gonçalves Bento construiu parte de sua trajetória empresarial na produção de shows e experiências para grandes públicos no litoral paulista. É uma frente de negócio em que o resultado aparece em poucas horas, mas depende de meses de trabalho que o público quase nunca vê.
Quem chega a um evento de grande porte enxerga palco, som, iluminação e atração principal. Por trás disso existe uma cadeia de autorizações, cálculos de segurança, contratos e logística que define se a noite vai funcionar ou não. As perguntas a seguir ajudam a entender como essa engrenagem se organiza.
Quanto tempo antes um grande evento começa?
Depende do porte, mas raramente menos de alguns meses. A primeira etapa é a definição do conceito, do público esperado e do local, porque essas três escolhas determinam todo o resto, do orçamento à estrutura de segurança.
Em seguida vêm a negociação com artistas, a contratação de fornecedores e o pedido de licenças. Atrações de maior projeção costumam ter agenda fechada com muita antecedência e exigências técnicas detalhadas, reunidas no chamado rider técnico, que especifica equipamentos de som, luz, palco e camarim. Só depois disso a venda de ingressos ganha escala, e o ritmo dessa venda ajuda a calibrar ajustes finais de estrutura e equipe.
Quais autorizações um evento precisa ter?
Um evento aberto ao público exige, em geral, autorização da prefeitura para uso do espaço e realização da atividade. Além disso, Fredy da Silva Gonçalves Bento reforça que é essencial a aprovação do Corpo de Bombeiros, que verifica rotas de fuga, extintores, iluminação de emergência, lotação máxima e materiais das estruturas temporárias.
Há ainda obrigações menos conhecidas. A execução pública de música, por exemplo, gera recolhimento de direitos autorais ao Ecad, órgão responsável por distribuir esses valores aos compositores e intérpretes. Em eventos de maior porte, órgãos de trânsito e segurança pública também participam do planejamento, especialmente quando há impacto em vias e no entorno.
Como se dimensiona a estrutura para milhares de pessoas?
Tudo parte da capacidade do local e da estimativa de público. Esse número define a quantidade de seguranças, brigadistas, banheiros, pontos de venda de bebida, saídas de emergência e equipes de atendimento médico, incluindo ambulâncias de prontidão.
O cálculo considera o pico, e não a média. O momento crítico costuma ser a entrada e a saída, quando milhares de pessoas se movimentam ao mesmo tempo. Na experiência acumulada por Fredy da Silva Gonçalves Bento com grandes públicos, a logística de acesso é parte central do trabalho, justamente porque erros nessa etapa não admitem correção depois que os portões abrem.
Por que o litoral exige outro planejamento?
A Baixada Santista recebe grande fluxo de visitantes na alta temporada, e a população flutuante altera o trânsito, a ocupação de hotéis e a demanda por serviços. Um evento marcado para esse período disputa espaço com todo esse movimento.
Há também fatores naturais. Eventos em áreas abertas, próximos à praia, precisam considerar vento, chuva repentina e maresia, que afeta equipamentos eletrônicos e estruturas metálicas. Isso pesa na escolha de fornecedores, na montagem do palco e na existência de planos alternativos para mudança de horário ou de local.
O que um evento deixa para a cidade?
O impacto não termina quando as luzes se apagam. Um grande evento movimenta hotéis, restaurantes, transporte e comércio local, além de gerar trabalho temporário para montadores, técnicos, seguranças, ambulantes credenciados e equipes de limpeza.
Para Fredy da Silva Gonçalves Bento, os eventos são um dos capítulos de uma trajetória que começou no comércio de roupas no Parque Bitaru, em São Vicente, e passou por gastronomia, investimentos e mobilidade elétrica. Vistos de perto, eles mostram uma competência que atravessa todos esses negócios: transformar planejamento minucioso em uma experiência que, para o público, parece simplesmente acontecer.




