A EBS – Empresa Brasileira de Saneamento presta serviços que vão muito além do consumo doméstico, alcançando também indústrias e produtores rurais que dependem de água tratada e de soluções de reúso para manter suas operações. Irrigação, abastecimento urbano e indústria respondem, juntos, por cerca de 84% de todo o volume de água retirado no Brasil.
A indústria de transformação, isoladamente, responde por cerca de 9% da retirada total de água no país, participação que coloca o setor diretamente no centro das discussões sobre gestão eficiente dos recursos hídricos disponíveis.
Quanto da água do Brasil vai para a indústria e agricultura?
Grande parte dessa demanda ainda depende de captação direta de rios e reservatórios, e não de água de reúso, o que amplia a pressão sobre mananciais em regiões onde grandes indústrias, agricultura e abastecimento humano competem pela mesma fonte hídrica.
Sem soluções de reúso em maior escala, o crescimento da demanda industrial e agrícola tende a competir cada vez mais diretamente com o abastecimento humano pelos mesmos mananciais, especialmente em regiões metropolitanas onde a disponibilidade hídrica já opera perto do limite.
Na visão da EBS – Empresa Brasileira de Saneamento, empresa especializada em soluções para saneamento básico, o reúso de água tratada representa uma das fronteiras menos exploradas do saneamento básico brasileiro.
Reúso de água ainda enfrenta desafios para se expandir
Diferenciar reúso interno, realizado dentro da própria estação ou instalação onde o efluente foi gerado, de reúso externo, destinado a terceiros fora do local de origem, ajuda a entender por que alguns projetos avançam mais rápido que outros, já que o reúso interno costuma exigir menos etapas regulatórias.
Levantamentos recentes indicam que o Brasil reutiliza menos de 2% de todo o esgoto tratado produzido no país, enquanto a média global se aproxima de 11%, um cenário que evidencia o tamanho da oportunidade ainda não aproveitada pelo setor de saneamento no país.
Processos industriais como resfriamento de equipamentos, lavagem de pisos e irrigação de áreas verdes figuram entre os usos que não exigem água potável, podendo ser atendidos com efluentes tratados sem qualquer risco adicional à saúde dos trabalhadores envolvidos.
A EBS avalia cada vez mais parcerias com indústrias interessadas em reaproveitar efluentes tratados para processos que não exigem água potável, reduzindo a dependência de captação direta de rios e represas.
Monitorar continuamente a qualidade da água de reúso ao longo de todo o contrato também é essencial para garantir segurança sanitária e ambiental, exigindo investimento em laboratórios e equipes técnicas dedicadas especificamente a esse tipo de controle.
Setores como papel e celulose, alimentos e bebidas, e mineração figuram entre os que mais dependem de grandes volumes de água em seus processos produtivos, o que os torna candidatos naturais a projetos-piloto de reúso em maior escala nos próximos anos.
Sistemas centralizados de tratamento, que reúnem esgoto de diferentes bairros em uma única estação municipal, tendem a ter maior capacidade de gerar volume suficiente de efluente tratado para viabilizar contratos de reúso de larga escala com indústrias da região.

Exemplos internacionais mostram o potencial do reúso
Em Israel, cerca de 90% do esgoto tratado é reaproveitado na agricultura, permitindo produção intensiva de alimentos mesmo em regiões de clima árido, modelo frequentemente citado como referência global em gestão eficiente de recursos hídricos escassos.
Em Singapura, o sistema conhecido como NEWater fornece água de altíssima qualidade para a indústria de semicondutores e reforça reservatórios públicos durante períodos de estiagem, enquanto a cidade de Windhoek, na Namíbia, opera desde a década de 1960 um dos primeiros sistemas de reúso potável direto do mundo. Ambos os processos ganharam destaque mundo afora pelo pioneirismo e por garantir a qualidade hídrica em processos avançados de tratamento.
Certificações ambientais internacionais também têm passado a valorizar empresas que adotam reúso de água em seus processos produtivos, o que cria incentivo adicional de mercado para além da simples redução de custos operacionais com captação.
Barreiras que travam o avanço do reúso no Brasil
Preço historicamente baixo da água captada diretamente de rios e represas ajuda a explicar por que investir em infraestrutura de reúso ainda não se mostrou atrativo para boa parte das indústrias brasileiras, mesmo diante de sinais crescentes de escassez hídrica em diferentes regiões.
Do ponto de vista de quem estuda o uso da água no campo, caso de pesquisadores próximos à EBS – Empresa Brasileira de Saneamento, ampliar o reúso agrícola poderia liberar volumes significativos de água potável para abastecimento humano em regiões de maior pressão hídrica.
Produtores rurais de maior porte já começam a testar reúso de água tratada para irrigação de culturas não destinadas ao consumo humano direto, movimento ainda restrito, mas que tende a ganhar espaço à medida que a tecnologia se torna mais acessível financeiramente.
Regras claras sobre qualidade exigida para cada tipo de reúso, aliadas a incentivos fiscais e linhas de financiamento específicas, aparecem entre as medidas mais recomendadas para acelerar a adoção dessa prática em maior escala no país.
Ampliar o reúso de água tratada na indústria e na agricultura deve continuar sendo uma fronteira pouco explorada, mas estratégica, para o saneamento básico brasileiro nos próximos anos. Companhias do setor, entre elas a EBS – Empresa Brasileira de Saneamento, tendem a observar com atenção essa agenda, ainda incipiente na maior parte do país.




