Quem pretende montar ou atualizar um computador para jogos em 2026 esbarrou em um obstáculo inesperado: os preços de componentes essenciais dispararam, e a explicação está longe do universo dos games.
A corrida global por chips de inteligência artificial tem consumido boa parte da capacidade de produção de memória e armazenamento, deixando menos oferta disponível para quem só quer rodar seus jogos favoritos com boa performance.
RAM e SSD sentem o maior impacto
Uma pesquisa do Tom’s Hardware, divulgada em maio, mostrou que 60% dos jogadores de computador planejam adiar a compra de novas máquinas por pelo menos dois anos, uma reação direta ao encarecimento de componentes. A alta afeta principalmente os módulos de memória RAM DDR5, cujos valores de tabela dobraram em apenas seis meses, movimento seguido de perto pelas unidades de armazenamento em estado sólido. ShonenHardware
O cenário chegou a gerar soluções pouco convencionais entre entusiastas. Alguns usuários passaram a recorrer a adaptadores de memória de notebook para uso em desktops, uma alternativa criativa diante da escassez de módulos tradicionais no mercado. Esse tipo de improviso ilustra bem o nível de pressão que o setor de hardware vem enfrentando ao longo do ano.
Placas-mãe também vão subir de preço
O problema não fica restrito à memória e ao armazenamento. Fabricantes já notificaram distribuidores sobre reajustes que podem chegar a 50% em algumas placas-mãe, motivados principalmente pelo custo da placa de circuito impresso. A demanda de data centers por PCBs mais avançados disputa a mesma capacidade de produção usada em placas de consumo, e capacitores, cobre e chips controladores também tiveram alta. Modelos de entrada devem subir entre 10% e 20%, enquanto os de topo de linha podem sentir o impacto de forma ainda mais acentuada.
As placas de vídeo, item mais caro de qualquer configuração gamer, não escaparam da onda de reajustes. Estimativas indicam que uma GPU básica pode custar entre R$ 1.200 e R$ 3.000 em 2026, faixa que reflete diretamente a disputa por memória entre o mercado gamer e o setor corporativo de inteligência artificial. Rumores do setor ainda apontam que a Nvidia pode adiar o lançamento de uma nova arquitetura de GPU, priorizando a produção voltada a servidores em vez do público final.
O consumidor precisa se planejar melhor
Diante desse cenário, a recomendação de especialistas em hardware é clara: pesquisar preços com antecedência, comparar lojas confiáveis e evitar decisões impulsivas motivadas apenas pelo medo de um novo aumento. Um PC gamer completo em 2026 exige atenção redobrada a processador, GPU, memória RAM e armazenamento, já que cada um desses itens pode representar uma fatia significativa do orçamento total.
Como a origem do problema está ligada à demanda estrutural por chips de inteligência artificial, e não a um evento pontual, analistas do setor acreditam que a pressão sobre os preços de hardware gamer deve persistir por um bom tempo. Para quem joga no PC, isso significa que planejar upgrades com antecedência e acompanhar promoções pontuais segue sendo a estratégia mais segura para não pagar mais do que o necessário.
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