A forma como uma empresa do setor funerário se apresenta ao mundo importa muito mais do que se imagina. Tiago Oliva Schietti ressalta que a identidade visual de cemitérios e funerárias é uma das ferramentas mais poderosas para construir confiança em momentos de extrema vulnerabilidade emocional. Este artigo aborda os principais fundamentos para criar logos, slogans e identidades visuais humanizadas nesse setor, desde a escolha de cores até a construção de uma narrativa de marca que respeite a dor sem ignorar a necessidade de comunicação profissional.
Por que a identidade visual de funerárias ainda está presa no passado?
Durante décadas, o design gráfico aplicado ao setor funerário ficou marcado por elementos sombrios: fundos escuros, tipografias serifadas pesadas, imagens de ciprestes e paletas monocromáticas em preto ou cinza. Essa estética, herdada de uma visão cultural que associa a morte ao silêncio e ao afastamento, acabou criando uma barreira simbólica entre as empresas e os familiares que mais precisam de apoio.
O problema central não é estético, é comunicacional. Quando uma família enlutada busca por um serviço funerário, ela não procura frieza ou distância. Ela busca amparo, organização e a sensação de que está confiando seus entes queridos a profissionais que compreendem a dimensão humana daquele momento.
Como a escolha de cores pode mudar a percepção da marca?
Tiago Schietti orienta que a paleta cromática deve ser pensada em camadas: uma cor primária que ancora a marca, uma secundária que traz calor humano, e uma terciária para detalhes de contraste. Essa estrutura garante versatilidade em diferentes aplicações, seja em fachadas, materiais impressos, uniformes ou ambientes digitais.

Evitar o preto como cor dominante não significa negar a gravidade do momento. Significa, na prática, posicionar a empresa como um espaço de transição respeitosa, e não de encerramento absoluto.
Quais elementos visuais comunicam cuidado e profissionalismo simultaneamente?
O logo de uma funerária ou cemitério precisa equilibrar dois atributos aparentemente opostos: a sobriedade necessária ao contexto e a humanidade que o momento exige. Formas orgânicas, como folhas, ondas suaves ou mãos estilizadas, transmitem acolhimento sem apelo ao sentimentalismo exagerado.
Desse modo, o símbolo do logo precisa ser simples o suficiente para funcionar em qualquer escala, mas com significado para criar uma memória visual duradoura. Um ícone que evoca serenidade, como um pássaro em voo, uma chama discreta ou um arco suave, pode ser muito mais poderoso do que elementos literais relacionados à morte.
Como criar slogans que respeitem o momento sem soar frios ou genéricos?
O slogan é o ponto de maior vulnerabilidade criativa nesse segmento. Frases como “servindo com dignidade” ou “cuidando de você no seu momento mais difícil” soam bem intencionadas, porém genéricas. Elas não diferenciam a marca, tampouco criam uma conexão emocional real.
Tiago Schietti destaca que o slogan deve ser desenvolvido após a definição do posicionamento estratégico da marca, não antes. Quando a empresa sabe com clareza quem ela é, para quem fala e qual valor entrega, o slogan nasce com muito mais autenticidade e aderência.
De que forma a identidade visual impacta a confiança do público?
Em conclusão, a renovação da identidade visual não apaga a história da empresa. Ao contrário, quando bem conduzida por profissionais como Tiago Oliva Schietti, ela posiciona a marca para um novo ciclo, mais alinhado às expectativas contemporâneas de famílias que buscam humanidade, transparência e respeito em cada detalhe do serviço.
O design, nesse contexto, deixa de ser um elemento decorativo e passa a ser uma linguagem estratégica. E dominar essa linguagem é o que diferencia empresas que apenas prestam um serviço daquelas que realmente acompanham as pessoas nos momentos que mais importam.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez




