ID CTVM explica como recebíveis gerados por plataformas de pagamento parcelado entre empresas chegam aos fundos e o que validação, registro e conciliação precisam garantir nesse fluxo
Pequenas e médias empresas que compram insumos, mercadorias ou equipamentos de fornecedores passaram a contar com uma alternativa ao boleto à vista ou ao crédito bancário: plataformas digitais que pagam o fornecedor no ato e concedem prazo ao comprador, modelo que gera um volume crescente de recebíveis e encontra nos FIDCs uma fonte de funding, operação apoiada pela ID CTVM em administração fiduciária, custódia e contas de pagamento. Na ID CTVM, esses recebíveis seguem pela mesma esteira de validação aplicada a qualquer direito creditório, com uma diferença relevante: o volume é alto, os valores são pequenos e a velocidade de originação é a de uma empresa de tecnologia. Para Rodrigo Balassiano, diretor da instituição, o crédito entre empresas originado em plataformas digitais é uma das frentes em que tecnologia e mercado de capitais mais dependem uma da outra.
Como o modelo funciona
O desenho básico envolve três partes. A empresa compradora escolhe pagar a prazo no momento da compra. A plataforma paga o fornecedor imediatamente, ou em prazo curto, e passa a ser credora do comprador pelo valor da compra, que será quitado em 30, 60 ou 90 dias. Para não carregar todo esse crédito no próprio balanço, a plataforma cede os recebíveis a um FIDC, que se torna o credor final.
Para o fornecedor, a vantagem é vender a prazo sem esperar para receber. Para o comprador, é ganhar prazo sem precisar negociar uma linha bancária a cada pedido. Para o fundo, é ter acesso a uma carteira pulverizada, formada por milhares de empresas compradoras, com prazos curtos e giro rápido.
A cessão pode ocorrer com ou sem coobrigação da plataforma, escolha que muda a distribuição do risco. Quando a plataforma responde pela inadimplência dos compradores, o fundo passa a depender também da saúde financeira de quem originou o crédito, o que torna a análise da própria plataforma parte da avaliação da carteira.
Pulverização exige processo automatizado
Uma carteira com milhares de devedores reduz o risco de concentração, mas multiplica o trabalho de verificação. Cada recebível precisa existir, estar corretamente formalizado, não ter sido cedido a outra estrutura e atender aos critérios de elegibilidade do regulamento, como limite por sacado, prazo máximo e perfil de comprador admitido.
Rodrigo Balassiano observa que, nesse volume, a validação manual simplesmente não acompanha a originação. Na estrutura da ID CTVM, os lotes enviados pelas plataformas podem chegar pelas APIs abertas do Portal do Desenvolvedor e seguir para a esteira de direitos creditórios do Portal IDSF, onde passam por conferências automatizadas antes de a cessão ser concluída.
O registro como garantia de unicidade
Boa parte dessas operações tem como base a duplicata, título que representa a venda mercantil a prazo. A Lei 13.775, de 2018, criou a duplicata escritural, emitida e registrada em sistema eletrônico de escrituração, o que permite verificar sua existência, seus endossos e eventuais ônus.
O registro em entidades autorizadas, como a Cerc e a B3, é o que permite à custódia confirmar que um recebível não foi cedido mais de uma vez. Rodrigo Balassiano explica que, em uma carteira pulverizada, esse controle é ainda mais relevante, porque a duplicidade de cessão, se ocorrer, tende a aparecer espalhada em muitos títulos de pequeno valor, e não concentrada em um único caso visível.
Cada pagamento no lugar certo
Rodrigo Balassiano, diretor da ID CTVM, aponta onde está o ponto mais sensível dessa operação:
“No crédito B2B das plataformas, o desafio não é um recebível grande que dá problema, é a soma de milhares de pagamentos pequenos que precisam encontrar o título certo todos os dias. Se o comprador paga e o valor não é associado imediatamente ao recebível correspondente, o fundo perde a visão real da sua inadimplência. Por isso a conciliação precisa acontecer no mesmo ritmo da originação, e não no fim do mês”, afirma o executivo.
Da cobrança à cota
Na ponta do recebimento, os pagamentos dos compradores precisam chegar ao fundo de forma identificada. Contas vinculadas e domicílios de pagamento definidos contratualmente ajudam a garantir que o dinheiro siga para o credor correto. Na estrutura da instituição, as contas de pagamento integradas à controladoria processam liquidações via Pix e TED e permitem associar cada valor recebido ao título correspondente, com reflexo na baixa do recebível e no cálculo da cota.
O mesmo fluxo alimenta os indicadores que a gestora acompanha, como atrasos por faixa de prazo, concentração por sacado e comportamento de cada safra de originação. Na avaliação de Rodrigo Balassiano, é essa visão quase diária da carteira que permite ajustar critérios de concessão de crédito antes que a inadimplência se acumule.
Tecnologia de um lado, governança do outro
O crescimento do crédito B2B em plataformas digitais conecta empresas de tecnologia a investidores do mercado de capitais, e cada lado traz exigências próprias. A plataforma busca agilidade para aprovar compras em segundos. O fundo precisa de registro, validação e conciliação que sustentem a qualidade da carteira.
Com mais de 9 mil contas operacionais e de pagamento ativas, a ID CTVM opera fundos que recebem recebíveis originados por empresas de tecnologia de diferentes perfis. Para a instituição, a expansão desse modelo depende de uma infraestrutura capaz de acompanhar a velocidade da originação sem abrir mão do controle sobre cada título que entra na carteira.
Sobre a ID CTVM
A ID CTVM é uma instituição especializada em infraestrutura para o mercado de capitais, com serviços de administração fiduciária, custódia, escrituração, controladoria e distribuição de fundos de investimento. Fundada em 2020, a companhia reúne atualmente mais de 550 fundos e mais de R$ 50 bilhões sob administração e custódia, com presença relevante em estruturas como FIDCs, FIPs e FIIs. Combinando tecnologia, governança, conhecimento regulatório e eficiência operacional, a ID oferece suporte a gestores, investidores, empresas e demais participantes do mercado, contribuindo para operações mais seguras, eficientes e transparentes.




