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De que maneira a NR-1 revoluciona a abordagem da saúde mental nas empresas?

A saúde mental deixou de ser apenas um tema relacionado ao bem-estar individual para assumir um papel estratégico na gestão das organizações. O médico Dr. Éverton da Costa Sagiorato observa que discutir esse tema no ambiente corporativo exige olhar não apenas para o trabalhador, mas também para as condições em que o trabalho é realizado. Com a atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), empresas passaram a incorporar os riscos psicossociais ao gerenciamento dos riscos ocupacionais, tornando a prevenção parte das responsabilidades formais do ambiente de trabalho.

O que realmente mudou com a atualização da NR-1?

Durante muitos anos, a gestão de riscos ocupacionais concentrou atenção principalmente em agentes físicos, químicos, biológicos, ergonômicos e de acidentes. A atualização da NR-1 passou a incluir, de forma expressa, os fatores de risco psicossociais, reconhecendo que aspectos ligados à organização do trabalho também podem comprometer a saúde dos colaboradores. Essa mudança amplia o conceito de prevenção e incentiva uma avaliação mais completa das condições presentes no ambiente corporativo.

Na prática, isso significa que elementos como excesso de demandas, jornadas prolongadas, conflitos interpessoais, comunicação inadequada, assédio e metas incompatíveis com a realidade precisam ser identificados, avaliados e gerenciados dentro do Programa de Gerenciamento de Riscos. O foco deixa de ser apenas a consequência do adoecimento e passa a incluir suas possíveis causas organizacionais. Com isso, as empresas são estimuladas a desenvolver ações preventivas capazes de reduzir a exposição dos trabalhadores a esses fatores.

Conforme Éverton da Costa Sagiorato, essa abordagem fortalece uma cultura preventiva, permitindo que empresas atuem antes que situações de desgaste evoluam para afastamentos, redução de produtividade ou conflitos internos. Além de atender às exigências da norma, essa postura favorece uma gestão mais integrada da saúde ocupacional e contribui para ambientes de trabalho mais seguros, equilibrados e sustentáveis.

Por que a saúde mental passou a fazer parte da gestão de riscos?

O trabalho exerce influência direta sobre o equilíbrio emocional das pessoas. Quando existem processos pouco claros, excesso de pressão ou ausência de suporte adequado, aumenta a probabilidade de surgirem situações de estresse contínuo e esgotamento profissional. Por esse motivo, a forma como as atividades são organizadas passou a ser considerada um elemento importante na promoção da saúde ocupacional.

Éverton da Costa Sagiorato
Éverton da Costa Sagiorato

Nesse contexto, Dr. Éverton Sagiorato destaca que a prevenção costuma produzir resultados mais consistentes do que intervenções realizadas apenas após o aparecimento de sintomas. A identificação precoce de fatores de risco permite desenvolver estratégias que beneficiam tanto os profissionais quanto a própria organização. Segundo o médico, acompanhar continuamente esses fatores favorece decisões mais eficazes e fortalece uma cultura de cuidado dentro das empresas.

Como as empresas podem se adaptar de forma eficiente?

A adequação começa pela identificação dos fatores psicossociais presentes na rotina organizacional. Isso envolve analisar processos, distribuição de tarefas, comunicação entre equipes, liderança, carga de trabalho e demais aspectos que possam representar riscos para os colaboradores. Essa avaliação permite compreender como diferentes fatores organizacionais podem influenciar o bem-estar dos trabalhadores e orientar ações preventivas mais eficazes.

Depois desta etapa, torna-se importante implementar medidas compatíveis com a realidade da empresa. Revisão de processos, treinamento de lideranças, fortalecimento dos canais de diálogo, acompanhamento periódico e incentivo à participação dos trabalhadores fazem parte das práticas que podem contribuir para ambientes mais saudáveis. A própria norma não estabelece um único método de avaliação, permitindo que cada organização desenvolva soluções adequadas às suas características. 

Éverton conclui que compreender a saúde mental como um componente permanente da gestão favorece decisões mais equilibradas e cria condições para uma atuação preventiva em vez de reativa. Segundo ele, incorporar essa análise à rotina das empresas fortalece a cultura de prevenção e contribui para a construção de ambientes de trabalho mais saudáveis e sustentáveis ao longo do tempo.

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