domingo, dezembro 5, 2021
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Stablecoins ganham popularidade na África para driblar restrições ao dólar

As stablecoins são um tipo de criptomoeda criada para transações e que prometem estabilidade ao serem geralmente lastreadas no dólar. Elas estão se tornando especialmente populares em regiões onde a compra da moeda americana é restrita pelo governo e a inflação corre em ritmo acelerado, como em diversos países da África. 

Stablecoins são criptomoedas geralmente lastreadas no dólar americano (Imagem: David McBee/Pexels)
Stablecoins são criptomoedas geralmente lastreadas no dólar americano (Imagem: David McBee/Pexels)

Nigerianos driblam restrição à compra de dólares

O Tether (USDT), USD Coin (USDC) e o Binance USD (BUSD) são alguns exemplos de moedas digitais que vem sendo usadas para driblar as cotas individuais impostas na Nigéria. O jovem Samuel, de 26 anos, comentou em entrevista ao Rest of World que, assim como milhares de outros nigerianos, pretende sair do país, mas não consegue pagar pelas documentações pela dificuldade de se comprar dólares no país.

Durante os últimos 12 meses, Samuel vem preparando a papelada necessária para solicitar residência permanente no Canadá. Porém, ele se deparou com um difícil obstáculo: pagar por uma avaliação de credencial acadêmica, obrigatória para o processo de mudança, que custa US$ 170 e não pode ser paga na moeda local naira. Segundo o jovem, ele não está sozinho, em grupos no Telegram e WhatsApp existem milhares de outros nigerianos que enfrentam o mesmo problema.

As restrições ao uso de dólares se aplicam também a transações com cartão de débito e crédito, por exemplo, o que limita ainda mais as opções dos cidadãos nigerianos. Durante os últimos seis anos, o Banco Central da Nigéria, diante do declínio da economia após a queda do preço do petróleo, busca proteger o valor da moeda local através dessas medidas contra transações internacionais e acesso a moedas estrangeiras.

Stablecoins são alternativa para transações internacionais

Stablecoins facilitam pagamentos eletrônicos e internacionais (imagem: Anete Lusina/Pexels)
Stablecoins facilitam pagamentos eletrônicos e internacionais (imagem: Anete Lusina/Pexels)

É aí que as stablecoins entram na história. Sendo criptomoedas descentralizadas, o governo nigeriano não tem poder sobre elas. Assim, Samuel compra USDT usando naira e então encontra um intermediário confiável no Canadá ou nos Estados Unidos para trocá-las novamente por dólares canadenses. Porém, sempre há um grande risco de ser enganado nesse processo.

O caso de Samuel é apenas um pequeno exemplo de um movimento crescente em todo o continente. Na África Subsaariana, as remessas enviadas e recebidas através de stablecoins podem ser até 20 vezes mais baratas do que as transferências tradicionais de dinheiro fiduciário. As taxas de movimentação do USDT e do USDC costumam variar entre 0% a 1%. 

Criptomoedas também oferecem proteção contra inflação

Bitcoin é considerado "ouro digital" (Imagem: Executium/ Unsplash)
Bitcoin é considerado “ouro digital” (Imagem: Executium/ Unsplash)

Depois que o banco central da Nigéria impôs mais restrições às transferências de dólares neste ano, um número crescente de nigerianos migrou para as stablecoins, segundo Emeka Madu, diretora regional da Paxful para a África, uma plataforma líder de comércio de criptomoedas.

Em entrevista ao Rest of World, ela afirma que a empresa já soma 1,5 milhão de usuários nigerianos, com o USDT agora representando cerca de 5% do volume total de negociações da plataforma. Além disso, somente em junho, as movimentações com a stablecoin aumentaram 71% em relação ao mês anterior. Mesmo assim, o bitcoin (BTC) ainda é a moeda digital predominante no país.

O medo da desvalorização monetária é outro fator que levando cidadãos da Nigéria e Zimbábue a comprarem esse tipo de criptomoeda. Nesses países, a inflação acumulada até junho deste ano já ultrapassa os 17% e 56%, respectivamente. “Minhas economias e investimentos em naira não valem nada”, disse Temi, um trabalhador da cidade nigeriana de Lagos, ao Rest of World.

Assim, algumas plataformas de criptomoedas passaram a oferecer mais opções de stablecoins para atrair clientes africanos que tentam evitar restrições governamentais e a perda de valor de seu dinheiro. 

Contudo, na prática, as stablecoins ainda são ativos digitais não regulamentados. Não há medidas legais para proteger usuários das empresas por trás dessas criptomoedas. Ao contrário dos bancos, a moeda fiduciária convertida em USDT, BUSD e USDC também não é segurada pelos bancos centrais. Assim, dependendo da gestora ou corretora da moeda digital, os africanos acabam se sujeitando a outros riscos.

Com informações: Rest of World

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