segunda-feira, junho 14, 2021
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Consumo de energia do bitcoin aumentou em 66 vezes desde 2015

Enquanto o bitcoin (BTC) continua batendo recordes de preço, mais se evidencia o debate sobre os impactos ambientais de sua mineração. Um novo relatório do banco multinacional de investimentos Citigroup revelou que o consumo de energia relacionada à atividade cresceu em 66 vezes desde 2015.

Na medida que o preço do bitcoin sobe, seu consumo de energia também cresce (Imagem: Dmitry Demidko/Unsplash)

Na medida que o preço do bitcoin sobe, seu consumo de energia também cresce (Imagem:
Dmitry Demidko/Unsplash)

Consumo de energia do bitcoin aumenta junto ao preço

O principal motivo de preocupação com a mineração de criptomoedas, especialmente a do bitcoin, são as consequentes emissões de carbono. A atividade requer que inúmeras máquinas e computadores no mundo todo cedam seu poder de processamento para criptografar e registrar todas as transações envolvendo a moeda digital. Assim, os mineradores são recompensados com taxas administrativas e com a geração de novas unidades de BTC.

De acordo com os analistas do Citigroup, “à medida que o valor do bitcoin aumenta, o mesmo deve ocorrer com o seu consumo de energia”. Quanto mais transações são realizadas e mais criptomoedas são movimentadas, maior o número de processos que a rede blockchain precisa processar. A demanda elétrica aumentou em 66 vezes desde 2015, mas ainda assim é um ritmo mais lento do que o crescimento do preço do ativo digital, que já subiu mais de 170 vezes nesse mesmo período.

Mineração na China é principal fator poluente

Mineração de bitcoin na China deve prejudicar metas climáticas do país (Marco Verch/Flickr)

Mineração de bitcoin na China deve prejudicar metas climáticas do país (Marco Verch/Flickr)

O relatório também cita os dados do Cambridge Bitcoin Electricity Consumption Index (CBECI), que mede o consumo de energia associado à mineração da criptomoeda. A rede do bitcoin demanda cerca 138,5 terawatts-hora anualizados, mais eletricidade do que países inteiros, como a Ucrânia e Suécia.

Segundo o índice da universidade de Cambridge, a China é responsável por 65% de toda a mineração de bitcoin no mundo. Essa estatística é a principal base poluente da criptomoeda. A matriz energética de grande parte do país é o carvão, o que gera uma intensa poluição atmosférica. Isso faz também com que a energia elétrica chinesa seja barata, o que atrai mineradores para realizarem a atividade lá.

“A mineração e o uso dessas moedas consomem muita energia e pode enfrentar uma maior pressão regulatória conforme a adoção se expanda, especialmente se os EUA continuarem a expadir sua participação no mercado cripto e se a China, líder de mercado, passar a reprimir a mineração de bitcoin se ela acabar afetando negativamente suas metas climáticas”, afirmou o relatório o Citigroup.

China processa 80% de todas as transações de bitcoin

Na semana passada, outro estudo foi publicado pela revista Nature, revelando que, pelo ritmo atual, a mineração de bitcoin na China deve gerar 130 toneladas métricas em emissões de carbono até 2024.

De acordo com o estudo, 80% de todas as transações de bitcoin no mundo são processadas na China, enquanto se estima que 40% das usinas elétricas presentes no país sejam alimentadas com carvão. Tendo em vista o altíssimo consumo energético relacionado à mineração da criptomoeda, o bitcoin criou uma forte pegada de carbono.

Acordo climático quer “bitcoin sustentável”

Acordo climático quer fazer toda a indústria de criptomoedas operar com energia limpa (Imagem: Jonathan Cutrer/Flickr)

Acordo climático quer fazer toda a indústria de criptomoedas operar com energia limpa (Imagem: Jonathan Cutrer/Flickr)

O mercado de criptomoedas está ciente desse problema, por isso o “Crypto Climate Accord” foi criado no início deste mês e já conta com mais de 20 membros. A iniciativa busca migrar todas as redes blockchain para fontes renováveis e não poluentes de energia. A meta é levar todo o setor à neutralidade de carbono até 2040.

Para isso, os maiores problemas precisam ser resolvidos: o bitcoin e o ether, as duas maiores criptomoedas do mercado e os principais responsáveis pelas emissões de carbono associadas às moedas digitais. Dito isso, as metas do acordo parecem pouco realistas.

Tarefa pode ser impossível

O bitcoin, por exemplo, opera sob um protocolo que naturalmente consome cada vez mais energia. Trata-se de um sistema baseado em verificações “proof of work”, pouco otimizado e que demanda cada vez mais processos conforme cresce a atividade com a criptomoeda.

O ether (ETH), criptomoeda nativa da rede Ethereum, também funciona sob o mesmo protocolo e seu blockchain é responsável não apenas pela moeda digital, mas também pela maioria dos contratos inteligentes e NFTs presentes no mercado. Contudo, há planos para atualizar o sistema no futuro, criando a possibilidade de otimizar o consumo de energia em toda a rede.

Diante desses problemas, migrar todos os blockchains para regiões que utilizam energia limpa é uma tarefa muito cara e complexa. Seria necessário um enorme volume de subsídios para deixar o preço da eletricidade não poluente ao menos competitivo em comparação com a que provém da queima de combustíveis fósseis.

Com informações: Bloomberg

Consumo de energia do bitcoin aumentou em 66 vezes desde 2015

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